ABORTO, PORQUE NÃO?

Antes de ser contra ou a favor do aborto deveríamos nos atentar em entender quando de fato começa uma vida. Aborto é considerado por muitos, principalmente religiosos, como sendo um assassinato. Logicamente só um ser vivo pode ser assassinado, mas quando exatamente começa a vida? Quando que o ser passa a ser um ser vivente? Quando a alma começa a habitar dentro do corpo humano? Se não existe vida não tem assassinato, para um aborto ser considerado um assassinato, a vida precisa ser iniciada, ou seja, o corpo precisa ter uma alma vivente.

É fácil entender e concordar que o ponto de partida de uma gravidez é a relação sexual entre um homem e uma mulher. A corrida do espermatozoide em busca desesperada pelo óvulo é a primeira etapa da gestação, mas já posso afirmar que a nova vida foi iniciada? Acho que o mundo inteiro concorda que ainda não. Interromper o encontro entre o espermatozoide e o óvulo não é um assassinato. Podem continuar a utilizar camisinha sem peso na consciência.

Segundo a medicina, o espermatozoide demora aproximadamente 24 horas pra penetrar totalmente no óvulo, ou seja, caso o encontro entre os dois aconteça neste exato momento, somente daqui 24 horas que o espermatozoide estará efetivamente dentro do óvulo. Neste caso, a fecundação ainda não se completou, não aconteceu. Então, não cometemos uma assassinato caso seja feito algo que impeça que o espermatozoide complete sua penetração. Fiquem tranquilo, podem utilizar a pílula do dia seguinte com a mente tranquila.

Mesmo depois de fecundado, o óvulo e espermatozoide são coisas distintas, os cromossomos do espermatozoide demora cerca de 24 horas para se misturar com os cromossomos do óvulo, segundo especialistas. Neste período, mesmo sabendo que o espermatozoide está dentro do óvulo, a fecundação ainda não aconteceu efetivamente. Impedir que os cromossomos dos dois se misturem e completem o ciclo da fecundação não é um assassinato. Estamos livres pra usar a pílula do dia seguinte com tranquilidade.

Se passaram mais 24 horas, e os cromossomos do espermatozoide se misturaram com os cromossomos do óvulo, ou seja, a fecundação foi efetivada. Vale lembrar que já se passaram 48 horas (dois dias) depois que a transa aconteceu. Para que o processo de gestação continue é necessário que o óvulo fecundado percorra as trompas e se fixe nas paredes do útero, caso isso não aconteça, o óvulo fecundado será dispensado, jogado pra fora, junto com a menstruação.

O óvulo fecundado, o embrião, pode se dividir e gerar dois ou mais embriões nos próximos 15 dias. Então, não podemos afirmar que o embrião gerado na fecundação é um ser humano, pois este pode ser tornar dois ou mais seres humanos. Somente depois de passados 15 dias que teremos a garantia que o embrião não mais mudará, se é um, continuará sendo um até o fim da gestação, se forem dois, sabemos que teremos gêmeos, mas somente após 15 dias temos a certeza da quantidade de seremos humanos que serão gerados durante o processo de gestação. É fácil entender que, até o decimo quinto dia o óvulo não possui alma, pois nem sabemos quantas almas serão necessárias. Até o décimo quinto dia após a transa não existe vida, então não cometemos assassinato se fizermos algo que impeça a evolução do embrião. Fazer aborto neste período não é assassinato, podem fazer aborto com a consciência limpa.

Na sexta semana após a relação sexual o coração do embrião começa a bater aceleradamente, cerca de 150 batidas por minuto. Com o coração batendo posso afirmar que a vida começou? Claro que não, batimento cardíaco não é sinal de vida, está aí a morte cerebral para provar isso. Quando há morte cerebral o coração e restante dos órgãos estão em funcionamento normal, geralmente nestes casos os órgãos são doados, e não é considerado assassinato quando se tira o coração deste corpo em funcionamento, pois o mesmo foi considerado como morto, sem vida. Diante disso, não posso afirmar que existe vida considerando somente as batidas do coração. Da mesma forma posso interromper a evolução deste embrião fazendo o coração deixar de bater, e não posso considerar um assassinato. Não é coerente considerar como crime um aborto realizado até a sexta semana (um mês e meio).

Para saber o que é vida, precisamos entender o que é morte. Morte é a ausência de ondas cerebrais, ou seja, morte cerebral. Então, posso afirmar que onde não há ondas cerebrais não há vida. Se faço um aborto num período que ainda não iniciaram as ondas cerebrais do feto, logo, não estou cometendo um assassinato. Segundo a medicina, a primeira versão cerebral acontece na oitava semana da gestação, neste período, a formação do cérebro não está completa, mas podemos dizer que temos uma versão básica. Então um aborto realizado até a oitava semana (dois meses) da gestação não é um assassinato.

Considerando que a vida começa a partir da formação do cérebro, posso dizer que, não há vida em fetos anencéfalos (sem cérebro). Segundo pesquisas, 98% dos bebes anencéfalos que nascem com o coração batendo, o mesmo deixa de bater na primeira semana. Os outros 2% continuam batendo até no máximo um ano. Depois de doze meses o coração de nenhum bebes anencéfalos estará batendo. Se a vida é medida a partir da existência de ondas cerebrais, bebes anencéfalos nunca tiveram alma, ou seja, nunca tiveram vida. Interromper o batimento cardíaco de um corpo sem cérebro não pode ser considerado um assassinato. Desligar os aparelhos de quem teve morte cerebral nunca foi considerado um assassinato.

Na nona semana de gestação já temos a primeira versão do cérebro formado, porém neste período o feto não tem condições de sobreviver fora do corpo da mulher, nem com ajuda de aparelhos. Será que então posso considerar que neste tipo de situação o bebe é um extensão do corpo da mulher, ou seja, a mulher tem autonomia pra decidir se a gestação deve ou não continuar? Segundo os médicos somente na vigésima semana (cinco meses) o pulmão está pronto, ou seja, a partir deste momento o feto tem condições de sobreviver fora do útero, fora do corpo da mulher.

Na minha opinião a vida começa a partir da formação cerebral do feto, antes disso, eu acredito que o mesmo não tem alma, não tem vida, e qualquer procedimento abortivo até este período, na minha opinião, não faz sentido ser considerado um assassinato. A partir da formação cerebral até a completa formação do pulmão, ou seja, momento que o feto ainda não tem condições de viver fora do corpo da mulher, neste caso, mesmo considerando que há uma vida no feto, o mesmo é um tipo de extensão do corpo da mulher, logo, eu considero que neste período o processo abortivo pode ser decidido pela mãe sem peso na consciência, pra mim, até o quinto mês a responsabilidade da vida do feto é da mãe. Eu não julgaria mal caso uma mulher decida realizar o aborto até a vigésima semana de gestação.

Minha conclusão, um processo abortivo realizado até a formação do cérebro (oitava semana) não é assassinato, ou seja, este procedimento pode ser realizado normalmente e com tranquilidade, sem peso na consciência. A partir da oitava semana até a vigésima semana a mulher tem autonomia pra decidir se continua ou não com o processo de gestação, pois neste período o feto depende do corpo da mulher pra continuar vivendo, ou seja, até esta semana o feto é a extensão do corpo da mulher. Após a vigésima semana qualquer processo abortivo é crime, e na minha opinião deve ser julgado como um assassinato.


Texto Escrito
por Joe Amaral
em Dezembro de 2018