Afinal de contas quem sou eu? Eu sou quem eu acredito que sou? Eu sou aquilo que os outros dizem que sou? Ao olhar para o espelho vejo nele o reflexo da minha imagem, será que a imagem que eu vejo no espelho é exatamente igual ao que os outros vêm ao olhar pra mim? Acho que nunca saberemos responder com precisão estes questionamentos, mas vou ousar em pelo menos tentar.

Tenho duas definições de mim mesmo, a minha, e a do outro. Qual dessas definições é a verdadeira? Na escolha de duas verdades, eu acredito que a nossa verdade deve ser priorizada, afinal de contas, nunca iremos viver o que o outro pensa ao nosso respeito, na prática vivemos aquilo que acreditamos de nós mesmos. Eu devo respeitar o que os outros dizem sobre mim, mas aquilo que dizem sobre mim é apenas uma parte do que sou. Eu sou aquilo que eu acredito que eu seja, minha realidade será sempre aquilo que penso sobre mim.

Quando alguém relata algo ao meu respeito, há coisas que vão bater com minha percepção, porem outras coisas podem ser contraditórias. Então é comum ouvir do outro algo sobre mim no qual eu não concorde. Fico eu incomodado quando alguém percebe algo em mim que eu mesmo não tenha percebido. É desconfortável saber que alguém próximo tenha uma visão distorcida ao meu respeito, e ainda pior saber que dificilmente podemos fazer o outro mudar essa percepção. Muitas vezes discuto por simplesmente querer que o outro veja em mim a mesma coisa que eu vejo. No final me resta entender que o outro nem sempre irá me enxergar da mesma maneira que eu.

Quando o que eu digo sobre mim se diverge com aquilo que o outro diz, além do incomodo, isso gera em mim um certo distanciamento com a outra pessoa, relacionamentos se tornam superficiais quando as pessoas da relação não se percebem da mesma maneira, isso vale pra qualquer tipo de relação. Eu acredito que não seja possível criar um relacionamento profundo e duradouro com alguém que não vê em mim aquilo que eu próprio enxergo em mim mesmo.

Devo reconhecer que não sou 100% aquilo que acredito, e também não sou 100% aquilo que dizem sobre mim. Sou a soma de dois lados, de um lado está minha visão de mim mesmo, e do outro lado está aquilo que as pessoas enxergam em mim. Quando o outro diz algo sobre mim que eu não concorde, ele está simplesmente dizendo algo sobre mim que ainda não conheço. E quando eu falar sobre mim estou apenas revelando algo que talvez o outro não conheça. Com essa conclusão sigo em busca constante do autoconhecimento.