Recentemente tivemos uma manifestação pacífica em todo o território nacional. Foi lindo ver muitos e muitos unidos no mesmo propósito. No ano passado também tivemos grandes manifestações nas principais cidades brasileiras e também foi algo impactante, mas nenhuma das manifestações trouxe mudanças significativas. Nenhuma delas marcou a história do país através de uma mudança de expressão dentro da política brasileira.

As manifestações de 2014 foram motivadas por 20 centavos de acréscimo no transporte coletivo e a manifestação do dia 15 de março de 2015 foi motivada pelo aumento expressivo da gasolina. Somos tão egoístas que somente preocupamos com os problemas do país quando estes problemas atingem diretamente o nosso bolso.

Não quero desvalorizar as manifestações, mas infelizmente nós, o povo brasileiro, somos egoístas e na verdade não estamos nos preocupando com o país, mas sim com o nosso bem estar individual. Não me lembro de presenciar nenhuma manifestação motivada por uma sincera preocupação com o atendimento precário do hospital, ou pela insegurança pública, não, as manifestações que presenciei nos últimos anos foram motivadas pelo prejuízo individual da população, só nestas situações que há uma “luta” pelo bem do país.

Precisamos parar de agir como se existisse a nossa vida e assumir a responsabilidade de fazer parte de uma sociedade. Numa sociedade não é uma pessoa que erra e sim todas erram junto com essa pessoa. Numa sociedade não é somente uma pessoa que faz o bem, todos fazem o bem através daquela pessoa. Precisamos entender isso e realmente se envolver com responsabilidade de um todo e não ficar somente defendendo os direitos individuais de cada um. Se um é corrupto, todos são, então sabendo que também somos os causadores do mal, é hora de pensar e agir de forma consciente na solução do problema.

Atacar o problema não tem nada a ver em atacar o causador do problema, pois o causador também é vitima, foi vitima da maldade que reina no coração de todas as pessoas, a diferença é que uns se tornam agentes do mal e outros, talvez por falta de oportunidade, não se tornam agentes. Dizer que o outro errou é muito fácil, mas se juntar a pessoa que errou com o objetivo de encontrar uma solução junto com ela, isso não é fácil. Mas é disso que o Brasil precisa, é assim que precisamos ser.

Até quando vamos ficar olhando somente para nós mesmos? Quando vamos realmente nos importar com os outros? Acredito que chegou o momento de assumir a responsabilidade da sociedade e realmente fazer algo de bom por todos, todos, sem exceção.